Estudo lançado na Firjan detalha potencial dos distritos florestais para economia do RJ

Estudo lançado na Firjan detalha potencial dos distritos florestais para economia do RJ

O estado do Rio importa cerca de 90% dos produtos madeireiros utilizados na indústria por não dispor de uma base florestal consolidada. O dado consta no Estudo do Potencial Energético e de remoção de CO2 das florestas plantadas nos Distritos Florestais, elaborado pelo Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG/Coppe–UFRJ) e parceiros, lançado em 15/5, na sede da Firjan. Essa realidade afeta várias indústrias, segundo Ricardo Guadagnin, presidente da Firjan Leste Fluminense e empresário do ramo moveleiro.

“Tanto na indústria moveleira quanto para a geração de energia ou construção civil praticamente toda a madeira vem de fora e atrapalha muito a balança comercial do Rio de Janeiro. Certamente as florestas plantadas vão contribuir para a economia e para a geração de emprego e renda para os fluminenses. Vamos transformar áreas degradadas, improdutivas ou com baixa produtividade em áreas de grande produtividade”, analisou Guadagnin.

Antonio Carlos Vilela, presidente do Conselho Empresarial de Energia Elétrica da Firjan, ressaltou a importância de sociedade e governo estarem se unindo para reverter “um atraso” para o Rio de Janeiro: “Todos os nossos estados vizinhos já entraram nesse processo. As autoridades apresentaram uma legislação que é factível e acreditam que o Rio agora vai em frente com florestas plantadas. O cliente da biomassa das florestas será a indústria com o combustível mais competitivo e mais ambientalmente correto, visando a sustentabilidade e o baixo carbono”.

lei estadual nº 9.972/23, sancionada em janeiro pelo governador Cláudio Castro, criou a Política Estadual de Desenvolvimento Florestal. Além disso, o decreto 45.597/2016 previu áreas prioritárias para criação de cinco distritos florestais no estado, nas regiões Norte, Noroeste, Serrana e Médio Paraíba, ainda pendentes de licenciamento. “A política estadual de mudança climática defende áreas multifuncionais e a ampliação de culturas para fins energéticos. Os distritos florestais terão tratamento diferenciado para licenciamento ambiental. E temos em carteira R$ 600 milhões do BNDES e fontes estaduais para incentivar o cultivo”, garantiu Telmo Borges, superintendente de Mudanças do Clima e Florestas da Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS) e um dos autores do estudo.

“Um de nossos cenários prevê o plantio de 100 mil hectares (o equivalente a 100 mil campos de futebol) até 2039, o que chegaria a remoções de 7,1 milhões de toneladas de CO2 em 2035 (somadas as anuais e as acumuladas ou em estoque)”, complementou Renzo Solari, diretor da EOS Estratégia e Sustentabilidade e também autor do estudo.

A demanda já existe, segundo Paulo Braga, diretor da Arborius Bioenergia e autor do estudo. “As indústrias trazem madeira de São Paulo e no transporte queimam combustível por 300 km. A potencialidade é de produção sustentável de madeira para energia, móveis e outros ramos da economia verde, além de geração de créditos de carbono para o mercado”.

Marcos Freitas, diretor do IVIG/COPPE–UFRJ, ressaltou o trabalho acadêmico: “O importante é não deixar morrer a chama. O projeto abre uma oportunidade gigante para valorizar o interior. Deve haver uma flexibilidade para a localização dos distritos florestais”.

 


 

Fonte: Firjan

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