CONTA DE LUZ SOBE ATÉ 16,46%:NA AMPLA, TARIFA RECUA 0,74% REAJUSTE FOI PUXADO POR ESTIAGEM E USO DE USINAS TERMELÉTRICAS

O aumento do custo da energia decorrente da estiagem e do uso intensivo das usinas térmicas já se reflete nas contas de luz. No caso da Ampla, que atua em 66 municípios do Estado do Rio, com a revisão anunciada na segunda (7/4), os consumidores residenciais da distribuidora terão uma redução de 0,74% na conta de luz, bem abaixo da redução de 6,51% projetada pela distribuidora no fim do ano passado. Para outras distribuidoras que tiveram reajustes autorizados ontem, os aumentos ficaram muito acima dos índices de inflação. Ao todo, 12,8 milhões de clientes terão a conta de luz mais cara a partir de hoje.

O maior aumento aprovado foi para os clientes da CPFL Paulista: 16,46% para clientes residenciais e 16,10% para as indústrias. No caso da Cemig, de Minas Gerais, o aumento aprovado foi de 14,24% para residências e de 12,41% para os clientes da alta tensão. A agência autorizou ainda aumento de 11,16% na conta dos consumidores residenciais da área da Cemat, no Mato Grosso. Para as indústrias, o índice será de 13,42%.

Aneel: repasse terá impacto de 1%

Em nota, a Ampla informou que os principais fatores que influenciaram a revisão foram os custos elevados da geração de energia, que impactaram em quase 13% as tarifas nessa revisão. Os ganhos de eficiência e produtividade alcançados pela gestão da distribuidora foram revertidos aos consumidores com uma redução de 10,6% na parcela da tarifa destinada ao serviço de distribuição.

Os processos de renovação das tarifas já levam em conta o pacote de medidas anunciadas pelo governo há duas semanas para aliviar o impacto do alto preço da energia no custo aos consumidores. Depois de o governo prometer aporte de R$ 4 bilhões no setor elétrico, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu na segunda (7), durante reunião da diretoria colegiada, que caiu de R$ 5,6 bilhões para R$ 1,6 bilhão o valor que os consumidores brasileiros terão de pagar para fechar o orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em 2014.
O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, informou que o impacto desse repasse nas tarifas de energia será de menos de 1% este ano, bem abaixo dos 4,6% estimados inicialmente.

– No ano passado, havia uma conta de algo em torno de R$ 1 bilhão. Este ano, está em R$ 1,6 bilhão. Então, há um incremento de R$ 600 milhões. Quanto impacta na tarifa? Certamente menos de 1% – disse Rufino.

Ele lembrou, porém, que esse percentual varia de acordo com cada distribuidora e conforme a região onde esta se localiza:

– Cada empresa tem o seu processo tarifário. As regiões Norte e a Nordeste pagam proporcionalmente menos.
O valor anterior, de R$ 5,6 bilhões, havia sido divulgado em fevereiro. Rufino explicou que houve uma revisão, sobretudo, da previsão de receitas da CDE.
– Não houve alteração significativa no conjunto de gastos. Apenas as fontes foram alteradas – afirmou.

Rufino destacou, ainda, que se aumentar a necessidade de aportes no setor elétrico neste ano para aliviar o impacto do elevado custo da energia a curto prazo, as distribuidoras deverão buscar um empréstimo maior no mercado financeiro, via Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O governo previu empréstimos no valor de R$ 8 bilhões, mas essa quantia pode crescer.

– O Tesouro vai direcionar R$ 2,8 bilhões. O Tesouro não sinalizou, em momento algum, aumento do aporte. Se não sinalizou, o valor da captação pode ter de ser um pouco maior em relação aos R$ 8 bilhões – disse Rufino.

O QUE MUDA NOS PREÇOS:

AMPLA (RJ): Para os consumidores residenciais, haverá redução de tarifa, de 0,74%, contra previsão de queda de 6,5%. Para as indústrias, haverá aumento de 8,11%, e para comércio e iluminação pública, de 0,48%. Serão afetados 2,5 milhões de unidades consumidoras, em 66 municípios do Estado do Rio. O reajuste é retroativo a 15 de março.

CPFL PAULISTA: O aumento para o consumidor residencial será de 16,46%, contra 16,10% para a indústria e 17,97% para o comércio. Entra em vigor hoje, com impacto em 3,9 milhões de clientes, em 234 municípios de São Paulo.

CEMAT (MATO GROSSO): A alta será de 11,16% para residências, 13,42% para a indústria e 11,16% para o comércio.

Também entrou em vigor em (8/04). O aumento é aplicável a 1,2 milhão de unidades consumidoras, localizadas em 141 municípios de Mato Grosso.

CEMIG (MG): Consumidores residenciais enfrentarão um reajuste de 14,24%.
Para as indústrias, o percentual é de 12,41%, e para o comércio, de 15,78%.
O aumento, que afeta 7,7 milhões de unidades consumidoras em 805 municípios de Minas Gerais, também entra em vigor em (8/04).


Fonte -Fonte: O Globo / Cristiane Bonfanti

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